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| Atualizado às 10:53h

Big Brother Brasil 10

Elenita abre o coração: Sou Gordinha e sou gostosa

Briguenta, chata ou transparente? Elenita comenta sua passagem pelo BBB e abre o coração em entrevista

Da Redação DOL / Alinne Rodrigues

Ela tem 30 anos e o título de doutora em linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De dia, Elenita Rodrigues é professora. À noite, é a DJ Lena Bahirah.

Ela tem 30 anos e o título de doutora em linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De dia, Elenita Rodrigues é professora. À noite, é a DJ Lena Bahirah.

Ela tem 30 anos e o título de doutora em linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De dia, Elenita Rodrigues é professora. À noite, é a DJ Lena Bahirah. A inusitada duplicidade lhe garantiu uma vaga no Big Brother Brasil 10, em uma passagem que durou seis semanas. As polêmicas dentro da casa foram inúmeras: discutiu com Anamara, brigou com Eliéser, bateu boca com Alex, disputou uma liderança no mano a mano com a inimiga declarada Lia.

No sábado que antecedeu sua saída, passou o dia querendo sair do jogo. Fez as malas e tentou abrir a porta. O público atendeu o pedido e a eliminou com 52% dos votos. Em entrevista exclusiva ao Buchicho, Elenita abre o jogo. Comenta seus erros, opina sobre os jogadores que ainda estão na casa e garante: não é frustrada!

DIÁRIO - Tendo uma carreira acadêmica consolidada, por que decidiu se inscrever para o Big Brother?
Elenita Rodrigues - Desde que perdi meu irmão mais velho, em 2005, adotei a filosofia de que “a gente nasceu pra ser feliz”. Não iria fazer da minha vida qualquer coisa que a desperdiçasse apenas para obedecer a um padrão. A nossa vida é muito curta pra gente não fazer o que quer... Quis participar, quis ver como era, comprei os riscos todos e fui. Não me arrependo.

DOL – Na casa, você teve algumas grandes discussões. Com a Lia, por exemplo, quando ela disse que você era complexada e não aceitava elogios. Já no Faustão, você disse que adora ser elogiada. Por que, então, rebatia as palavras dela?
Elenita - A Lia não me elogiou naquela briga. O que ela fez foi estratégico. Ela percebeu que eu estava nervosa, visivelmente descontrolada e, de forma muito inteligente, deixou que eu proferisse absurdos sozinha. Se alguém manda você para um lugar pouco recomendado (risos) e você elogia os olhos dela, isso faz com que ela pareça desequilibrada e maluca. Foi o que aconteceu. Perdi aquela briga. Pontos pra ela.

DOL - Você também discutiu com Anamara, que te chamou de frustrada. A Elenita é frustrada?
Elenita - Como profissional, não. Amo meu trabalho, sou respeitada e bem estabelecida no meu campo de atuação. Mas como mulher? Não seria frustrada, mas ainda incompleta... Quero encontrar o homem da minha vida. Sou uma bobona, será?

DOL - Você se arrepende de ter chegado a bater boca em rede nacional?
Elenita - Me arrependo de ter usado palavrão em rede nacional. Depois que saí da casa, percebi que as crianças adoram o programa. Elas vêm me dar beijo, pedir foto, autógrafo... Aqui fora eu jamais diria um palavrão na frente de uma criança! Não tinha noção clara disso quando estava no BBB...

DOL - Você acha mesmo a Fernanda dissimulada?
Elenita - De dentro do jogo, eu achava. Mesmo no domingo em que ela chorou para o Brasil para pedir minha eliminação porque ela se sentia injustiçada com o monstro, havia passado o dia feliz e dando cambalhotas se divertindo com a brincadeiras dos palhaços com o Cadu. Sorrir o dia todo, dar cambalhotas felizes na grama e chora somente à noite em cadeia nacional não me parece coisa de alguém que é mesmo transparente. Mas posso estar sendo injusta com isso.

DOL - Um dia, na piscina, você esteve envolvida em uma discussão com o Dourado sobre homossexualidade. Você acha que ele realmente é homofóbico?
Elenita - Pensem comigo... Uma pessoa que, apesar de esclarecida e inteligente, afirma em cadeia nacional que só homem gay pega aids se transar sem camisinha, não sente qualquer preconceito? Li hoje um artigo em inglês publicado no Advocate que dizia com clareza que o favorito ao prêmio do BBB brasileiro era homofóbico. Me desculpem os douradomaníacos, mas acho que concordo com o site.

DOL - Dentro da casa, você revelou que já namorou uma menina. O que te levou a investir em um relacionamento homossexual?
Elenita - Não cheguei a namorar, foi apenas uma experiência. Descobri que não era disso que eu gostava. Acho que confundi um pouco essa coisa do desejo com uma vontade de militar em prol da causa GLBT. Sempre defendi os direitos civis dos homossexuais. Se existe lei de igualdade racial, por que não pode haver lei que impeça a homofobia?

DOL - Você acha que foi eliminada porque o público atendeu o seu pedido depois da prova do anjo?
Elenita - Eu estava muito fragilizada. Vi que tinha feito uma besteira no jogo e achei que o público votaria em mim de qualquer forma. Então pensei “amanhã faz cinco anos que assassinaram o Fábio, não quero mais ficar aqui, quero ir ver a minha mãe...”. Me desgastei emocionalmente, perdi o equilíbrio, tentei abrir a porta e sair. Acho que só fui eliminada na terça, porque pedi pra sair. Milhões de pessoas queriam a chance de estar no BBB, eu estava e queria ir embora? O público não entendeu e não perdoou. Teve lá a sua razão.

DOL - Só quem joga vence o Big Brother?
Elenita - Sim. Só ganha o jogo quem joga. Lá de dentro, eu percebia que o Dourado era o participante favorito aqui fora, pois ele havia ganhado o “Poder Supremo” por indicação popular. Disse isso para os outros participantes. Depois ganhou a votação para ganhar o carro. Acho que o prêmio final já é dele.

DOL - Por que você recusou os convites para posar nua?
Elenita - Recebi proposta para posar para o Paparazzo, com um ensaio sensual. Não houve proposta oficial da Playboy, apenas rumores. Não posaria nua apenas porque não acho que isso acrescentaria algo à minha profissão. Não sou atriz ou modelo, nem tenho essas pretensões... mas admiro quem posa! Fico feliz com o convite porque isso mostra que os nossos valores estão mudando. Quem ganha é a enorme quantidade de brasileiras como eu, com curvas exuberantes, e errado está quem acha que uma mulher não pode se amar e se admirar como é. Aliás, amei a Ivete Sangalo não apressar o emagrecimento para amamentar o seu filho. Gosto de atitudes como a dela.

DOL - Na casa, você dizia o tempo todo que era gordinha. No Faustão, disse se achar gostosa. Afinal, é gordinha ou é gostosa?
Elenita - Sou gordinha e sou gostosa (risos)! Mas o engraçado é que se vocês me encontrarem na rua, perceberão que o monitor de TV realmente engorda um pouquinho... Tenho 1,65 metro e peso 70 quilos. Para o padrão das revistas, estou acima do peso, mas para o meu estou ótima! Gosto de ser exatamente assim.

DOL - Na entrevista para o Diego Alemão, no programa A Eliminação, você se apoiou no ombro dele, e ele interpretou como uma cantada. O que você achou da atitude dele?
Elenita - Entendo a reação do Alemão, o que não significa que eu concorde com ela. Algumas pessoas são mais brutas e não gostam e/ou suportam brincadeiras. Jornalistas com mais experiência teriam tido uma posição mais ética e totalmente diferente da que ele teve. Se vocês observarem o quadro Falando na Cara, gravado para o Domingão do Faustão, verão que abracei na rua vários dos participantes durante a gravação. Nenhum deles se sentiu “a última bolacha do pacote” e saiu espalhando por aí que eu estava dando em cima deles!

DOL - No Domingão do Faustão, você falou que adorava as festas no BBB e até falou pro Boninho que queria voltar pra casa só pra dançar. Será que existe alguma chance de ele te convidar como DJ?
Elenita - Nesta edição, eu acho muito difícil. Você não acha que a reação de quem comemorou a minha saída seria ruim? Não acho que a receptividade de Lia, Fernanda e Cadu seria boa. Isso inflamaria os ânimos da casa ainda mais!

DOL - Fora do Big Brother, aproveitar os 15 minutos de fama faz parte dos seus planos?
Elenita - Em um país desigual como o nosso, tive o privilégio de poder estudar e ter uma profissão que curto muito. Amo dar aulas! Depois surgiu a DJ. Então os planos profissionais são os mesmos, mas vou aproveitar minha licença no trabalho para escrever (há um livro no prelo), porque também amo muito. Algumas pessoas no Twitter já disseram que queriam me ver apresentando alguma coisa na TV... Eu acho legal e ao mesmo tempo curioso. Eu gosto de gente, de lutar pelas coisas em que acredito e, se vejo alguma injustiça, me meto até em brigas que não são minhas. Aí entra a Elenita que participa da luta contra a homofobia, que é a favor das cotas, do respeito à diversidade, à mulher etc. Ser artista nunca foi meu objetivo, mas gosto de pensar na ideia de falar, conversar sobre coisas...