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| Atualizado às 10:53h

Editorial

Tradição de fé e paz

Ontem 300 mil pessoas, segundo cálculos da PM, lotaram o Bairro do Rio Vermelho em Salvador

Diario da Região / Editor Chefe

Ontem 300 mil pessoas, segundo cálculos da PM, lotaram o Bairro do Rio Vermelho em Salvador. Poucas manifestações, juntam tanta gente e tanta gente diferente como a festa do mar, imortalizada por Caymi, morador do Rio Vermelho e exaltada por Jorge Amado.
Afinal que divindade, santa ou rainha é essa? Que merece desmaios por insolação, risco de afogamento (que não são raros) e milhares de bêbados no fim da tarde, uns de cerveja e álcool outros de pura felicidade por estarem na festa da Rainha do Mar?
Quem trabalha a favor de tanta paz? Pois, com 300 mil pessoas, até o meio dia de ontem não se havia registrado uma desavença sequer, inclusive no trânsito. E porque na festa do Rio Vermelho todos bebem e se embriagam até o por do sol mesmo sem um tostão no bolso?
Dirão os crentes que Iemanjá é a alma e a essência do mar, que no principio é a essência e origem da vida sobre a face da Terra. Tem pouco da mística africana, muito do catolicismo original, outro tanto das lendas pagãs celtas, uma mistura de mitologia com as lendas do oriente e somando-se tudo se obtém a simplicidade do ser que é o começo e o fim de tudo, inclusive da vida.
Dirão os que não crêem – que é coincidência, que nada pode afogar o instinto de violência sempre presente nas multidões ou refrear o exagero pela bebida e até mesmo pela fé. Atentam contra as evidências para fazer valer o ponto de vista torto dos que não acreditam e quer levar outros a descrerem ou a vestir como sua a verdade alheia.
Iemanjá não traz multidões à praia e lota três centenas de barcos com oferendas porque é pagã ou porque é divindade do candomblé. A verdade é que há 50 anos uns poucos pescadores, que faziam do mar seu sustento e só, resolveram marcar data e hora para as oferendas que eram dadas à Rainha do Mar, que nunca ninguém viu e se viu não voltou para contar. Discutir crenças, descrenças, nomes e origens é irrelevante hoje. O certo é que milhares foram lá e uns ainda estão e por lá ficarão, nesta festa livre e farta do Rio Vermelho e certeza das certezas, ano que vem tem mais, com mais fé e paz.